O Ministério da Justiça e Segurança Pública do Brasil informou que cerca de 25,2 milhões de pessoas no país utilizam plataformas ilegais de apostas online. O dado, apresentado pelo ministro Wellington César Lima e Silva, evidencia a dimensão do mercado paralelo de bets no país e o desafio crescente enfrentado pelas autoridades para controlar a atividade fora do sistema regulado.
Segundo o ministro, as plataformas ilegais representam uma parcela significativa do ecossistema de apostas, operando ao lado de empresas licenciadas, mas sem cumprir as exigências legais e regulatórias estabelecidas pelo governo. Ele destacou ainda que já foram bloqueados mais de 40 mil sites associados a esse tipo de operação, como parte das ações de fiscalização e repressão.
Durante o anúncio, o governo também informou uma nova medida que prevê o bloqueio de recursos vinculados a bets ilegais, com o direcionamento desses valores para o fundo de segurança pública, sempre dentro do devido processo legal. A iniciativa faz parte de uma estratégia mais ampla para reduzir a atuação de operadores irregulares e enfraquecer sua estrutura financeira.
O ministro ressaltou que o mercado ilegal de apostas não é apenas uma questão regulatória, mas também um problema de segurança pública, já que pode servir como canal de atuação para organizações criminosas. Segundo ele, a existência desse ambiente paralelo cria incentivos para a migração de atividades ilícitas para o setor de apostas não regulamentadas, o que exige resposta mais firme do Estado.
Dados apresentados pelo governo indicam ainda que entre 41% e 51% das plataformas ativas no país estariam operando fora da legalidade. Essa proporção reforça a preocupação com a escala do problema e a dificuldade de contenção apenas por meio de ações pontuais de bloqueio.
Em paralelo, o Ministério da Fazenda detalhou que uma estrutura reduzida de operadores financeiros estaria por trás da sustentação de grande parte dessas atividades. De acordo com as informações divulgadas, poucas centenas de pessoas, utilizando dezenas de instituições financeiras e fintechs, seriam responsáveis pela operação de milhares de sites e aplicativos ilegais que já foram derrubados pela Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) a pedido da Secretaria de Prêmios e Apostas.

As autoridades também destacaram operações recentes de investigação e repressão ao esquema, incluindo a chamada Operação Conto da Sorte, que envolveu buscas e apreensões em diferentes estados brasileiros. A investigação teve origem em análises técnicas da Secretaria de Prêmios e Apostas e revelou o uso irregular de credenciamentos locais para autorizar atividades de apostas de forma não autorizada.
Segundo os investigadores, o volume financeiro movimentado por essas plataformas pode atingir cifras bilionárias, embora os valores exatos ainda estejam sendo apurados com base em materiais coletados durante as operações e quebras de sigilo.
O avanço das apostas ilegais no Brasil, aliado ao crescimento do mercado regulado, coloca o país em uma fase de transição crítica. Enquanto o governo intensifica bloqueios e medidas de fiscalização, o setor segue em disputa entre operadores licenciados e redes que atuam à margem da legislação, refletindo um cenário de forte tensão regulatória e econômica.
